DEPRESSÃO: CONCEITOS E PRÉ-CONCEITOS

Texto de Nina Garcia Taboada

O que não é depressão?

Depressão não é falta de roupa para lavar, de mulher para sair ou de homem para casar.

Não é falta do que fazer, “pitti” de gente meio blasé, frescura de quem não sabe valorizar um bem querer.

Depressão não é aquela melancolia que lhe acomete em um por do sol mágico, porém solitário. Ou aquela tristeza que perdura alguns dias, enquanto você não consegue superar um amor indefinido, um emprego perdido ou uma morte sem sentido.

Depressão não é sinônimo de tristeza. De estresse. De solidão.

Então, o que é depressão?

Depressão é uma doença, um transtorno mental que afeta seu estado fisiológico e psicológico. Seu cérebro está diferente. Sua forma de processar as informações está diferente. E é muito, muito difícil sair dessa situação sozinho, sem ajuda profissional.

No âmbito psicológico, a perspectiva cognitivista entende a depressão através da Tríade Cognitiva de Beck (1997): pensamentos negativos a respeito de mim mesmo, dos outros (do mundo) e do futuro.

A pessoa com depressão tem um auto-conceito negativo (eu sou incapaz, chato, burro, feio, não tenho jeito, não tenho valor, sou um fracasso, etc..), processa negativamente as informações a respeito dos outros (ninguém gosta de mim, as pessoas não me entendem, as pessoas são egoístas, mesquinhas, homens não presta, etc..) e uma visão negativa do futuro (as coisas não vão melhorar, não há o que fazer para mudar meu estado, meu futuro me parece negro, não adianta querer mudar).

Somado a essa forma de ver o mundo, há um déficit em resolução de problemas (diante de um obstáculo ele simplesmente não sabe o que fazer) e uma resistência a encarar seus pensamentos como hipóteses que podem ser modificadas. Há a certeza de que o mundo é desse jeito e que não é possível mudar (é aquela

No âmbito fisiológico há alterações no apetite, no sono, na energia para o trabalho, e no apetite sexual.

Neurofisiologicamente falando há uma queda considerável principalmente na serotonina, principal alvo dos antidepressivos mais comuns.

É importante focar que o principal sintoma da depressão não é tristeza, mas sim, a indiferença.

O mundo fica cinza, desbotado. O que era divertido, hoje não dá mais prazer. Perde-se, aos poucos, o interesse pelas outras pessoas. Sentimento de culpa e vazio são comuns. Tais sintomas são frequentes, intensos, e a pessoa começa a ter comportamentos disfuncionais (problemas no trabalho, relacionamentos, no cotidiano).

Tarefas comuns como lavar uma louça, tomar banho ou ir ao banco viram verdadeiros desafios. É um sacrifício sair da cama.

A boa notícia é que há tratamentos eficazes para esse mal. Para casos leves, a Terapia Cognitiva é recomendada. Em casos moderados a graves, o ideal é unir forças, psiquiatras e psicólogos devem trabalhar em conjunto diante de um mesmo objetivo: recuperar a identidade e a integridade do paciente.

Porque a vida pode ser maravilhosa.

Nina Garcia Taboada é psicóloga, mestre em psicologia cognitiva pela Universidade Federal de Santa Catarina e especialista em terapia cognitiva. Professora e supervisora clínica, ministra palestras pelo país e atende em seu consultório particular em São Paulo, capital.

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Sobre Claudinha Grycak

Brasileira, divorciada, natural de São Paulo, 40 anos. Sou portadora de Alopecia há 21 anos, criei esse blog para aproximar as pessoas que sofrem desse problema. "Aceitação não é comodismo ou fuga, o ato da aceitação equivale a envolver com amor profundo os fatos que não podemos alterar e encará-los como circunstâncias a serem vivenciadas e vencidas para o fortalecimento do nosso ser."
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2 respostas para DEPRESSÃO: CONCEITOS E PRÉ-CONCEITOS

  1. Drica disse:

    Depressão: só quem tem sabe o que realmente é.
    E, pra piorar, em muitos casos de alopecia a depressão aparece concomitante.
    Uma dúvida que sempre surge e que fica sem explicação é se a depressão surge como causa ou efeito da alopecia ou vice e versa.
    Mas o importante é tratar o quanto antes!!!
    Bj

    Drica

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