DIGA-ME O QUANTO TENS PARA OFERECER-ME E TE DIREI O QUANTO SEU AMIGO EU SOU

Texto de Paulo Franklin

 

Estou cansado de conviver com caricaturas de amigos. Pessoas que se aproximam do outro com o objetivo de captar seus interesses. Falsas amizades, iniciadas por conta da necessidade, e por isso fadadas ao esquecimento. Amizades assim nem deveriam existir, mas é impossível reconhecer um falso amigo à primeira vista. Julgar não, mas ser prudente sim.

Já vi muita gente sofrer por confiar demais em alguém. Revelaram seus segredos, abriram seu coração para uma pessoa que não merecia tal confiança. Toda vez que nos relacionamos com alguém, corremos o sério risco de nos esquecer quem somos e endeusar a pessoa que, aparentemente, preencheu nosso vazio interior.

Não vale à pena manter amizades à custa de aparências. Se não posso ser aceito pelo outro pelo que eu sou (e só pelo que eu tenho a oferecer), nenhuma vantagem me restará em manter esta relação. Quando os dois não podem sair ganhando, certamente o outro obterá muito mais do que poderia ou deveria.

Mas o que é ser um amigo verdadeiro? É ser verdadeiro, sempre. Como bem lembrou Santo Agostinho: “nem sempre o que é indulgente conosco é nosso amigo, nem o que nos castiga, nosso inimigo. São melhores as feridas causadas por um amigo que os falsos beijos de um inimigo. É melhor amar com severidade a enganar com suavidade”. Ser amigo é livrar-se das máscaras para saber se o outro está a fim de conviver com este alguém, mesmo que doa.

Amizades interesseiras não sobrevivem ao calor dos desentendimentos. Bastará uma palavra áspera para afastar quem não vive comprometido com nosso jeito de ser. Amigo que é amigo não calcula os bens que obterá com essa ou aquela amizade, mas todo bem que este ou aquilo amigo pode lhe proporcionar.

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10 RAZÕES PARA VOCÊ DIZER NÃO AO SENTIMENTO DE INFERIORIDADE

Texto de Paulo Franklin

As causas do complexo de inferioridade são diversas. Não é fácil livrar-se de tal complexo, mas é possível. E tudo começa pelo amor próprio. Quem não se ama não pode fazer nada de significativo nesta vida. Apresento abaixo dez conseqüências desastrosas que o complexo de inferioridade pode trazer a uma pessoa. Algumas são obvias, outras nem tanto assim. Conversando com pessoas que sofrem deste mal, pude perceber o cerne do problema. E a mesma coisa que disse pra essas pessoas digo pra você que por ventura também esteja passando por isso: se é algo que faz mal então porque não lutar com unhas e dentes para se curar? E a cura é possível. Leia o texto e veja por que.

 

Não gostar de si

Eis aqui a raiz do problema. Não gostar de quem eu sou é o mesmo que dizer ao mundo que não tenho valor algum. E é triste viver assim, fazendo de tudo para cuidar dos outros quando os carentes de cuidados somos nós mesmos. Vamos acabar de vez com a idéia tola de se sentir o patinho feio deste mundão. O mundo foi criado para todo mundo e você também tem o direito de ser feliz.

Não gostar dos outros

Complexados tem medo de pessoas. Dizem até que tem amigos, mas quando estão próximos deles são engessados, têm medo de se expor e mostrar suas fragilidades. Na verdade quem não gosta de si não tem condições de gostar de ninguém. Como eu disse, pode até fingir ser amigo e coisa e tal, mas no fundo se percebe a dificuldade em encontrar no outro um ponto de apoio. O complexo de inferioridade causa também um sentimento de repulsa por quem não tem tal problema.

Fugir de compromissos

Solitários são no fundo doentes deste problema. Por não se amar e conseqüentemente não amar o outro, vivem inventando desculpas para não se relacionar. Correm um sério risco de morrer sozinhos, cercados por suas falsas crenças que o fazem duvidar de suas capacidades em encontrar alguém para juntos construir uma bela vida para ser vivida.

Ser ranzinza

Quem vive de mal com a vida talvez necessite fazer as pazes consigo mesmo. Tem pessoas que são azedas por natureza. Brigam por tudo, mas não vencem seus inimigos interiores. São mestras em disciplinar quem erra, mas lentas em cuidar da própria vida. Tenho pena de quem vive gritando para ser ouvido: quanto maior o volume da armadura, mais frágil se revela ser o soldado.

Ter preferência sexual indedinida

Conheço pessoas que sofrem de complexo de inferioridade e que têm dúvidas quando a sua preferência sexual. Nunca vi nenhuma pesquisa sobre o assunto, mas acredito piamente que a homossexualidade está estritamente ligada a tal complexo. Entender a causa é fácil: se a pessoa não se enxerga igual à outra que lhe parece semelhante (por exemplo: um garoto se considera incapaz de fazer aquilo que outros garotos da sua idade fazem) fica difícil levar uma vida despreocupada. Talvez seja hora de pensar um pouco mais sobre isso: ninguém nasce homossexual. O complexo de inferioridade pode muito bem ser o fator mestre deste grande desajuste.

Ter ódio do Pai/Mãe

Eles podem até ter certa culpa (e na maioria das vezes tem mesmo), mas não se deve atirar pedras neles. Pai ou mãe que erra na educação de um filho o faz porque não teve ninguém para lhes orientar o contrário. Por isso a importância de criar meios para discutir tais assuntos. Ao perceber que o seu complexo de inferioridade teve uma influência dos pais o filho deve cuidar para tratar o mal e não se ocupar em jogar a culpa toda neles. Perdemos tempo tentando “liquidar” quem nos feriu ao invés de correr atrás de um médico para tratar das machucaduras. E quanto mais cedo se trata, melhores são os resultados.

Ficcar sempre em último lugar

Só existe um lugar onde eu prefiro ser o último: na fila do dentista. Brincadeiras a parte, penso não haver lógica alguma em deixar que as pessoas ocupem sempre os primeiros lugares para sermos bem vistos por isso. Prefiro ser odiado e chegar lá ao ficar pra trás e nunca consegui o que eu desejo. Entenda: não digo no sentido de ser orgulhoso, mão-fechada; mas em se ter a consciência de que também temos o direito de saborear ao menos uma pitada de caviar. É errado tentar tirar da fila quem está com o primeiro lugar, mas o erro maior está em ter medo de ocupar o primeiro lugar e assim dá espaço para outra pessoa ficar.

Não ter um sonho

Como pensar no amanhã se não se consegue viver bem o hoje? Inferiorizados abrem mão dos seus sonhos em troca de uma vida regada a fantasias. Acreditam tanto nas estórias em quadrinhos que vivem esperando um príncipe num cavalo branco ou uma Cinderela que o libertará da solidão. Esperam até que a morte os venha visitar e só ai entenderão o quanto poderiam ter aprendido se o medo não tivesse os impedido de correr atrás dos seus sonhos, das experiências reais.

Não saber dizer não (ou sempre dizer não)

Tem gente que é ótima para com os outros, mas vive maltratando a si mesma. Nunca dizem não. Estão sempre dispostas a ajudar, mesmo que isso lhe custe deixar de cuidar de algo mais importante na própria vida. Pessoas assim estão num estágio avançado de complexo de inferioridade. Outras só sabem dizer não. Para estas não existe a reciprocidade. Se tem não dividem. Se não tem, preferem ficar sem a ter que pedir a alguém. Complicado, né?

Não cuidar da aparência (ou cuidar demais)

Dois lados de uma mesma moeda. Cuidar de menos da aparência é um mal que cometemos a nós mesmos. Cuidar demais também. Quem só pensa em ter uma roupa nova, carro do ano ou bugigangas para poder exibir, mostra que as coisas matérias são mais importante que a pessoa que os tem. Quando tudo isso acaba, o complexo de inferioridade volta, pois o problema não está na roupa que se veste (ou deixa de vestir), mas na maneira como nos comportamos diante das outras pessoas.