INSATISFAÇÃO NO TRABALHO PODE ESTAR FORA DO TRABALHO

Texto de Angelina Garcia, publicado no site: www.vyaestelar.com.br

A sensação de desconforto foi chegando aos poucos; um dia, porque não conseguiu responder às metas que, a pedido da empresa, acabaram por se tornar também sua expectativa; outro, porque contava com uma promoção dada a um colega cujo desempenho, de acordo com seu ponto de vista, estava aquém do seu. Sem falar das várias vezes nas quais suas sugestões foram usadas pelos superiores como se fossem deles; e, ainda, aquelas em que, mesmo sabendo que lhe fora pedido uma coisa, precisou admitir que se enganara, para não contrariar a gerência.

Nos últimos tempos, Zilda viu acrescentar às suas preocupações a possibilidade de seu nome constar na lista dos candidatos à demissão. A cada seis meses, a conversa de corredor passava a girar em torno de quem seria o próximo. Uma tortura!

O esforço para sair da cama de manhã era cada vez maior, pois antes de qualquer outra coisa lhe vinha o dia de trabalho à sua espera. Irritava-se até ao pensar nos colegas, de quem só enxergava os defeitos. “Que pena, eles eram tão bacanas!”

Não apenas mudara seu olhar para os colegas, mas também para si mesma e até para a atividade, que, jurava, deu-lhe prazer no início. Passou a duvidar de sua capacidade, já não realizava as tarefas com a rapidez costumeira, nem recebia elogios pela qualidade com que outrora as apresentava. O pior é que não conseguia separar as coisas. O descontentamento com o trabalho invadia sua vida privada, enquanto as questões subjetivas se faziam presentes no trabalho. Uma bola de neve que lhe foi minando o ânimo e lhe fez constatar que havia perdido o gosto pela vida.

Mesmo que cantado e decantando, o stress no trabalho é tema oportuno porque está longe de ser resolvido, embora algumas empresas estejam preocupadas em minimizá-lo, assim como os funcionários têm procurado terapêuticas que os ajudem a suportar pressão.

O problema de Zilda estaria mesmo na pressão relacionada à chefia, ao ambiente, à falta de identidade com os colegas, ao tipo de atividade? Ou estaria na distância entre tudo isso e seus interesses? Considerar as singularidades dos diferentes sujeitos nos ajuda a pensar a origem dessa pressão.

Há os que se sentem bem produzindo coisas, outros produzindo ideias; outros produzindo arte; quem se delicia com o produto; quem se satisfaz com o processo; aquele que precisa estar no meio de gente; aquele que necessita de quietude; o que depende de aplausos, o que quer permanecer escondido; quem aprecia desafios constantes; quem não quer sair da rotina; alguns se preocupam com gente, outros com bichos, outros com plantas, outros com coisas, e assim por diante.

Não se é o mesmo o tempo todo, mas é possível percebermos para que lado tendemos mais; quando, ou em qual circunstância nos sentimos melhor. Às vezes, identificamos bem cedo esse estado de conforto; outras, levamos a metade da vida, ou a vida toda. Não importa. O que não podemos é desistir de encontrá-lo, mesmo que para isso contrariemos a idéia que fizemos de nós mesmos, ou permitimos fizessem a nosso respeito.

Talvez a busca não seja por terapêuticas que nos auxiliem a suportar pressões externas, mas por aquelas que nos ajudem a nos revelar a nós mesmos, para que possamos, dentro das escolhas possíveis, optar pelas mais favoráveis; ou mesmo gerar condições de fazer escolhas. No tempo que for preciso.

Anúncios

Sobre Claudinha Grycak

Brasileira, divorciada, natural de São Paulo, 40 anos. Sou portadora de Alopecia há 21 anos, criei esse blog para aproximar as pessoas que sofrem desse problema. "Aceitação não é comodismo ou fuga, o ato da aceitação equivale a envolver com amor profundo os fatos que não podemos alterar e encará-los como circunstâncias a serem vivenciadas e vencidas para o fortalecimento do nosso ser."
Esse post foi publicado em Dicas, Diversos, Reflexão e marcado , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s