QUAL É O NOVO PAPEL DA MULHER?

Texto do Grupo de Aprimoramento Junguianao PUC-SP, sob a coordenação da profa. Dra. Noely Montes Moraes.     

Qual é o novo papel da mulher? Antes de tentarmos responder essa pergunta precisamos fazer um breve retrospecto de quais foram às possibilidades de ser da mulher até pouco tempo atrás. Mas mesmo antes de falarmos sobre isso, é importante fazermos uma separação entre sexo e gênero, mulher/homem e o feminino/masculino. 

Quando falo da primeira, quero dizer a mulher e o homem biológicos. Quando falo sobre o feminino ou masculino estou falando sobre certas características presentes tanto no homem quanto na mulher. Existem homens com o lado feminino mais desenvolvido e vice-versa. Existem muitas mulheres que reprimem o feminino em si. Arnaldo Jabor nos dá uma visão sobre elas em uma de suas crônicas. Diz se sentir intimidado por essas mulheres de corpo escultural, todas siliconizadas, chama elas de “máquinas-de-prazer sem alma”. Portanto, ser mulher não é garantia de lidar com o feminino de forma saudável. Mas podemos dizer que a mulher é a representação máxima do feminino.   

Vivemos em uma época onde os princípios masculinos reinam. As bases de nossa sociedade atual, que tem seus valores fundados nas religiões judaico-cristãs, foram construídas a partir das características masculinas. E os homens por não conheceram e até por isso temerem o modo feminino de ser, criaram uma sociedade onde este não tem espaço, onde o feminino é subjugado pelo masculino. Nossa sociedade tem dificuldade em lidar com o princípio feminino, que também podemos chamar de yin. 

O movimento feminino foi uma forma das mulheres buscarem serem mais aceitas na sociedade. Apesar dele ter sido feito de forma masculina, foi um começo. A partir dele as mulheres começaram a ser mais aceitas no mercado de trabalho, ganhando mais espaço na sociedade. Ao obterem o direito de votar também ganharam mais espaço como cidadãs atuantes. Mas todos esses ganhos são pequenas mudanças que não garantiram o espaço do feminino.   

Agora voltemos às possibilidades de ser da mulher, existencialmente a mulher sempre teve a possibilidade de ser qualquer coisa. Mas a forma como a sociedade a enxergava se reduzia a dois modos; santa ou puta. Independente do que ela fizesse, os outros só tinham a capacidade de encaixá-la nesses dois modelos. Portanto, a mulher tinha a possibilidade de ser vista como boa dona de casa, dedicada aos filhos e ao marido, mulher “correta”, pura e exemplo a ser seguido, ou como puta, caso ela não se encaixasse na primeira categoria. Isso mostra que todas as outras possibilidades de ser eram ignoradas pela sociedade. As pessoas não conseguiam olhar para o feminino além desses dois véus.   

O evangelho segundo Maria Madalena   

Essa forma de ver o feminino ainda está muito presente hoje em dia, mas de forma diferente. Não tão intenso, um pouco pelo movimento feminino que possibilitou que as mulheres fossem ouvidas e vistas. Vemos pequenos indícios pipocando que nos demonstram que esses véus estão caindo lentamente. Um destes é uma nova forma de olhar Maria Madalena. Até pouco tempo atrás ela era vista simplesmente como uma prostituta ao lado de Jesus Cristo. Mas novas teorias surgiram a esse respeito, algumas dizem que ela era esposa de Jesus. Um livro também foi publicado a esse respeito recentemente, com o título, ‘O evangelho segundo Maria Madalena’. Este é um acontecimento muito importante, pois até agora todos as evangelhos descobertos eram escritos por homens, com a visão masculina. Mas agora surge uma visão feminina do fato.   

Portanto, qual é o novo papel da mulher? Podemos dizer que hoje ela tem uma infinidade de possibilidades de ser. Não existe mais um modelo rígido que ela precise seguir. Ela pode se inventar e re-inventar ao seu bel prazer. Não é mais submissa ao homem economicamente nem psicologicamente. Ela pode ser o que quiser, respeitando as necessidades que surgem de seu interior. Pode se experimentar em várias relações amorosas, ou se engajar politicamente, se dirigir a obter uma carreira sólida ou se realizar sendo esposa e mãe. 

Vivemos em uma época que os papéis da mulher não estão mais tão claros, por um lado isso gera muita ansiedade, mas esse é o preço da liberdade adquirida. Muitos homens dizem que não sabem como agir diante deste novo modo de ser da mulher, e usam isso como pretexto para criticar as mulheres que não seguem os antigos padrões de viver. 

Mas a psicologia mostra que a mulher conseguiu se adaptar mais às novas mudanças da sociedade do que os homens. Agora o que nos resta é cada um dançar sua dança, buscando sua própria verdade. Pois hoje em dia temos a possibilidade de ser muito mais do que podíamos há alguns anos atrás.

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Sobre Claudinha Grycak

Brasileira, divorciada, natural de São Paulo, 40 anos. Sou portadora de Alopecia há 21 anos, criei esse blog para aproximar as pessoas que sofrem desse problema. "Aceitação não é comodismo ou fuga, o ato da aceitação equivale a envolver com amor profundo os fatos que não podemos alterar e encará-los como circunstâncias a serem vivenciadas e vencidas para o fortalecimento do nosso ser."
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