AMOR E CHANTILLY

Não há a menor dúvida de que, em essência, o amor é uma coisa muito séria. Mas é preciso entender que a seriedade dessa essência não precisa necessariamente ser imitada pelas suas formas de expressão. A prática demonstra que, na sua manifestação, o amor deve ser descontraído e informal. A formalidade do amor está no seu comprometimento, na sua força, na sua lealdade – mas os atos e gestos através dos quais esse amor é expresso e vivenciado a cada dia, não precisam ter a sisudez de um ato solene, de um cerimonial.

Amor tem tudo a ver com alegria, descontração, criatividade, leveza e prazer. A falta de sorriso nas relações pode ser um forte indício de que as coisas não vão bem entre o casal. Afinal, como se diz popularmente, o amor é uma gostosa brincadeira a dois – e essa expressão “brincadeira” nada tem a ver com irresponsabilidade e em nada compromete a seriedade do sentimento.

Alguns parceiros parecem não pensar assim. Quando terapeuta, não foram poucas as vezes que escutei queixas e desabafos quanto à “seriedade” do outro. Num casal “sério”, a relação fica muito  “pesada” e estressante, porque os diálogos abordam quase sempre questões financeiras, saúde, problemas profissionais, planos e projetos de comprar/vender/trocar, compromissos sociais, discussão sobre os filhos, escolas, parentes… Não que esses assuntos não devam fazer parte da vida a dois. Devem e são importantes – mas não podem ser exclusivos, não podem ser os únicos temas de conversa entre os parceiros.

Em certas ocasiões, “jogar conversa fora” deve fazer parte da pauta do dia. Onde ficam as brincadeiras, as piadas, as travessuras, as chamadas “abobrinhas”, os papos supérfluos, irrelevantes e descompromissados que devem fazer parte da vida de todo casal? Estou sendo repetitivo ao lembrar que todas as pessoas, independente da idade, têm uma Criança interior, que é o princípio ativo da nossa felicidade, das nossas emoções e nossa da vibração pela Vida.

É nossa Criança interior que sorri, gargalha, nos dá prazer e nos desestressa. Essa Criança, emotiva e sensorial, não pode jamais ser desprezada pela inegável necessidade que todos temos de usar a lógica, a racionalidade e os valores. Mas esses fatores não são excludentes – eles se complementam e devem todos ter espaço em nossos momentos, de forma compartilhada.

A relação amorosa, claro, deve ser encarada como uma coisa séria – como todos os projetos da vida que exigem dedicação, esforço e comprometimento. Mas só isso não garante a felicidade e a manutenção do amor bastante – que não pode abrir mão das gratificações e realizações emocionais, que geralmente são de competência da nossa Criança interior, afetuosa, travessa e às vezes considerada “ridícula”.  Nas manifestações do amor, é fundamental não ter medo de parecer ridículo. Lembremos que “todas as cartas de amor são ridículas. Se não o forem, não serão cartas de amor” – como disse Fernando Pessoa.

Os casais que se amam bastante não devem ter inibições ou medos de parecerem ridículos em suas manifestações amorosas. São nesses momentos que a cumplicidade afetiva mais se fortalece – e a relação também. Esse ridículo é o tempero do amor e, como sabemos, as coisas bem temperadas são muito mais saborosas. Por isso, há que se enfeitar as manifestações amorosas – todas elas: da simples declaração por telefone, àquela por carta, e-mail ou pessoal – inclusive na cama.       

Ou seja: há que se acrescentar chantilly ao amor. Ele fica mais doce, mais gostoso, com gostinho de “quero mais”. E para isso, ninguém precisa de talentos especiais nem dotes culinários. É aqui que entra a criatividade: seja espontâneo, ousado, inovador, faça e diga coisas que nunca fez ou, até onde saiba, ninguém jamais fez. Seja diferente na sua forma de amar. Certamente há um limite, que é o respeito ao outro e à sociedade.

Respeitados  esses limites, viva o amor e chantilly nele!

Texto publicado no site: http://www.portaldafamilia.org.br

 

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Sobre Claudinha Grycak

Brasileira, divorciada, natural de São Paulo, 40 anos. Sou portadora de Alopecia há 21 anos, criei esse blog para aproximar as pessoas que sofrem desse problema. "Aceitação não é comodismo ou fuga, o ato da aceitação equivale a envolver com amor profundo os fatos que não podemos alterar e encará-los como circunstâncias a serem vivenciadas e vencidas para o fortalecimento do nosso ser."
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